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É verdade que é na Primavera que cada ser vegetal se cobre com um traje que mais revela a sua personalidade. O que sob o sol estival hibernava como monotonia cromática explode então numa paleta infinita de tons. Os últimos dias de Inverno despendem-se, quando se pressentem os primeiros sinais do despertar das pulsões primaveris. A floração das amendoeiras, coalham de nuvens brancas a paisagem, transformando-se na melhor ocasião para visitar Alfândega da Fé. Paisagens repletas de encantos que em cada estação se vestem cerimoniosamente. Ora se vestindo de branco, ora embelezando-se com as cores dos amendoais e dos pomares de cerejeiras e pessegueiros, ora cobrindo-se com mantos de flores agrestes retocados por urzes e giestas para, em jeito de soneto, inebriarem os nossos sentidos. Se procurarmos contemplar toda esta beleza, subimos à Serra de Bornes para aí, mais perto do céu, encontrarmos através dos horizontes que vislumbramos, o expoente máximo da liberdade.


É assim Alfândega da Fé. Quem por aqui passar enriquece a sua memória ao fixar para sempre uma vila de lendas e encantos ocultos nos olhares das suas gentes. A primavera é intensamente florida e verde, graças à enorme diversidade da flora selvagem, mas também das árvores de fruto que abundam um pouco por todo o concelho; no Verão o calor aperta e a paisagem torna-se mais árida e seca, situação minimizada pelas várias barragens e pelos vales dos cursos de água principais; no Outono e o dourado dos castanheiros rivaliza com o florido primaveril e convida para sossegados percursos pelos caminhos da Serra de Bornes, que, lá do alto dos seus mil e duzentos metros de altitude olha permanentemente para todo o concelho, como se fosse sua sina servir de guarda e sentinela às gentes laboriosas que, aos seus pés constroem há milhares de anos a sua própria história.


Localizada a Sul do distrito de Bragança, entre a Serra de Bornes, o Vale do Rio Sabor, com uma área de cerca de 310 Kms2, divididos por 20 freguesias e 30 localidades . Alfândega da Fé, é terra antiga, com nome de origem árabe, adquirido entre os sec. VIII-IX apesar do seu primeiro foral de concelho medieval, só ter acontecido em 8 de Maio de 1294, com a carta Foral de D. Dinis.


Tão longa história deixou marcas profundas no território. Entre o natural e o humano, esta terra, sem ter para mostrar grandiosidade, conserva ainda, autênticas relíquias, quase surpresas, um verdadeiro convite à observação e à descoberta das muitas coisas boas que a vida tem. Por todo o cencelho existem festas, com carácter lúdico e pagão, não excluindo a componente religiosa que, por esta razão atraiem, desde tempos antigos, gentes de outros concelhos.


A sede do concelho é hoje um núcleo urbano que se distingue pela organização dos espaços e pela qualidade das suas infra-estruturas, destacando-se a Biblioteca Municipal, com atividades culturais e educativas permanentes, o Mercado Municipal e o espaço da Feira, onde duas vezes por mês renova a tradição medieval e todos os anos, no início de Julho, realiza a Festa da Cereja, o complexo desportivo da ARA, nomeadamente as suas piscinas, ou Parque de Lazer de Alvazinhos, inserido na paisagem rural e florestal. Em fase de conclusão encontra-se a Casa da Cultura e o Parque Verde: o Parque Verde; o Parque de Campismo será uma realidade dentro de pouco tempo, bem como o Complexo Desportivo Municipal.

Por todas estas razões vale a pena visitar este concelho de Alfândega da Fé e levar destas terras a imagem de uma natureza rica e diversificada, mas sobretudo das pessoas que lhe dão alma e vida e continuam a justificar esta luta por uma melhor qualidade de vida.

 

UM PARCEIRO POR TERRAS DE ALFÂNDEGA

O concelho de Alfândega da Fé tem estradas asfaltadas para todas as localidades, e vários estradões rurais em terra batida que podem ser utilizados por viaturas ligeiras, o que permite elaborar alguns percursos, com partida e chegada à Vila. Apresentamos apenas algumas sugestões, deixando ao visitante a liberdade de descobrir as belezas naturais, o patrimônio e a gastronomia destas terras que se estendem da Serra de Bornes ao Rio Sabor e ao Vale da Vilariça.

BARRAGEM DA ESTEVEÍNHA - Zona de Planalto, a cerca de 600 metros de altitude, esta barragem localiza-se no centro da conhecida plantação de cerejeiras, um dos cartões de visita de Alfândega da Fé, sobre tudo na altura da Festa da Cereja, que se realiza anualmente, na primeira quinzena de Junho.
SAMBADE - A maior localidade do concelho, depois da Vila, merece uma vista mais demorada, nomeadamente ao seu patrimônio religioso, de que sobressai a Igreja Matriz, do século XVI, monumento classificado.
SOEIMA - Esta aldeia fica a cerca de 1000 metros de altitude; a paisagem que dali se avista, para o sul, é indescritível; uma passagem pela Igreja Matriz revelará uma talha dourada de qualidade, para além de outros pormenores de interesse.
GEBELIM - É obrigatória uma visita ao Santuário de S. Bernardino de Sena, monumento classificado, com pinturas interiores de grande valor patrimonial; dali se pode observar o Santuário de Nossa Senhora de Balsamão, para além de toda uma interessante paisagem para nascente da Serra de Bornes; em bom estado, que os levará até ao ponto mais alto, o 1200 metros de altitude.
BARRAGEM DA CAMBA - Ao contrário das restantes barragens do Conselho, esta é tipicamente de altitude, pelo que a rodeiam os castanheiros; um bom local de repouso, para seguir o percurso.
VALE DA RIBEIRA DE AGROBOM - Zona de excelentes paisagens, que podem observar-se sem sair da estrada asfaltada.
AGROBOM - O Interior da Igreja Matriz revelará um excelente altar-mor em talha, num bom estilo barroco.
CASTELO - O nome da localidade recorda-nos tempos mais antigos; com efeito, nas imediações existe a antiga aldeia medieval, um castro e vestígios de povoamento pré-histórico; estes aspectos, bem como a fraga do Tabias, só poderão ser visitados com alguém que conheça bem a zona.
QUINTA DE ZACARIAS - Antigas terras da família Távora, esta quinta, que já foi povoado, é hoje uma zona de Caça Turística; a ponte de Zacarias, sobre a ribeira do mesmo nome e a do Arquinho, sobre a ribeira dos Canelhos, são dois elementos patrimoniais interessantes (do século XVI); ainda se podem observar as ruínas da antiga igreja de Zacarias e desfrutar da frescura da ribeira, os amantes da caça poderão encontrar aqui um bom passatempo.
LEGOINHA - A mais pequena localidade do concelho merece uma vista; quem desejar pode fazer uma descida ao rio Sabor, a pé, através de um vale fundi de paisagens surpreendentes, mas será melhor ir acompanhado por quem conheça bem os caminhos e carneiros.
VILARCHÃO - Uma das maiores localidades do concelho, localizada num planalto rico em agricultura e pecuária; para além de um solar brasonado, merece visita a Fonte, cujas características são únicas no concelho.
SANTO ANTÃO DA BARCA - Mesmo junto ao rio Sabor, a descida para o Santo Antão oferece-nos paisagens impressionantes, através de um estradão de terra batida, em bom estado; o Santuário tem instalações para turismo, devendo contatar-se a Junta de Freguesia da Parada, é um excelente local para passar um fim de semana.
QUINTA BRANCA - Outra agradável zona junto ao rio Sabor; é possível descer pelo Santo Antão, passar à Quinta Branca e subir à aldeia de Cerejas, ou vice-versa, sempre em estradões de terra batida.
CEREJEIRAS - Um dos maiores Santuários Marianos do País localiza-se nesta povoação, pelo que merece uma visita mais demorada.
CASTELO DOS PICÕES - Assim é conhecido um antigo castro, cuja muralha principal se encontra ainda em estado de conservação razoável; mais uma vez o vale do sabor e as paisagens maravilhosas, agora para sul, com Douro à vista.
SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE JERUSALÉM - A chegar à localidade de Sendim da Serra o melhor é perguntar como se vai para este santuário, construção de apreciável dimensão, recentemente restaurada, cujas origens remontam pelo menos ao século XVI, desconhecendo-se a razão da sua localização num lugar ermo.
SERRA DA GOUVEIA - Mesmo no alto, junto ao marco geodésico, ficam as ruínas de um castro, sendo visível parte da muralha do lado poente; da serra da Gouveia vê-se praticamente todo o concelho de Alfândega da Fé.
SANTA JUSTA - A aldeia tem um solar interessante; no cimo da encosta onde se localiza existem as ruínas de um castro, batizado com o mesmo nome; Santa Justa é uma das localidades do concelo onde se encontraram vestígios romanos.
PEDRA DE "REVIDES" - Esta misteriosa pedra "escrita", talvez com cinco mil anos, tem um acesso em caminha de terra batida, mas convém levar alguém que conheça a zona.
NOSSA SENHORA DOS ANÚNCIOS - Em pleno Vale da Vilariça, o cabeço de Nossa Senhora dos Anúncios oferece uma vista mais demorada, tendo na base a Barragem do Salgueiro, zona de lazer e de pesca desportiva; no interior da capela existem materiais retirados da escavação de uma necrópole romana que fica nas imediações.
VILARELHOS - Outras das maiores aldeias do concelho, situada no Vale da Vilariça e cujo patrimônio merece uma visita mais demorada, particularmente o solar do Margado de Vilarelhos, construção barroca do século XVIII.
VILARES DA VILARIÇA - A Barragem dos Vilares é um bom local de descanso, mas a aldeia, com as suas inúmeras construções em granito, merece uma visita mais atenta; na subida para Colmeais existem vários miradouros naturais voltados para o Vale de Vilariça.
COLMEIAS - Esta pequena aldeia, situada na encosta poente da Serra de Bornes, merece igualmente uma visita; mais acima, na direção do alto da serra, ficam um miradouro natural de onde se avista todo a Vilariça.
SERRA DE BORNES - Lá no alto estamos a 1200 metros de altitude; qualquer que seja o lado para onde nos viremos avistam-se terras sem fim... o Marão,a Estrela, Nogueira, Montesinho, Sanábria e centenas de localidades; a vista noturna, se o tempo ajudar é, pura e simplesmente espantosa.

Sugerimos-lhe este percurso pela zona antiga da vila:

CAPELA DO ESPÍRITO SANTO - Ainda que não tenha nada de relevante do ponto de vista arquitetônico, esta pequena Capela, hoje utilizada como capela mortuária, está associada ao crescimento urbano da zona da vila, desconhecendo-se a data da sua construção.
IGREJA MATRIZ - A Igreja Matriz foi reconstruída há cerca de sessenta anos, perdendo as anteriores características, que seriam do século XVI.
CAPELA DA FAMÍLIA FERREIRA - O traço arquitetônico mais importante desta Capela é o seu campanário em granito trabalhado; o brasão eclesiástico picado transporta-nos para o século XVIII e, provavelmente, uma ligação dos antigos proprietários à família dos Távora.
LARGO DO CASTELO - Esta foi, seguramente, a zona central do castelo medieval, mandado construir por D. Dinis em 1320; perdida a importância militar da vila, o castelo foi-se degradando e a sua pedra utilizada para a construção de casas.
CAPELA DA MISERICÓRDIA - A Misericórdia de Alfândega da Fé foi criada no final do século XV, mas é pouco provável que esta capela, devido à sua localização na zona antiga da vila tenha sido a primeira igreja matriz.
TORRE DO RELÓGIO - Esta torre, ex-libris da vila, tem a atual designação [elo menos desde o início do século XIX; mas as suas características e o fato de estar localizada na zona onde passava o "muro" do castelo, leva a supor tratar-se do que resta daquela fortificação.
CASA DOS TÁVORA - Da antiga casa propriedade desta importante família resta a entrada da capela; o portal de entrada está atualmente noutra casa e o campanário da capela na do Mártir S. Sebastião.
LAGAR D'EL REI - Construção sem qualquer valor arquitetônico e atualmente propriedade privada, ainda conserva no seu interior um lagar de azeite, já desativado.
CAPELA DE S. SEBASTIÃO - Antiga Ermida de S. Sebastião hoje inserida na área urbana da vila, foi construída no princípio do século XVI - o seu campanário constitui o elemento artístico mais relevante e como se disse, esteve primeiro na capela da casa dos Távora.